Medicina Fetal e os segredos sobre a vida do feto
Dr. Renato Ximenes

Como temos acompanhado os avanços na área da ultra-sonografia e principalmente quando falamos de Medicina Fetal, tem nos surpreendido cada vez mais. Com a chegado do Ultra-som tridimensional (3D), novas informaçoes estão sendo avaliadas no exame Morfológico Fetal.

            A evolução nesta área vem ocorrendo de forma muito rápida, pois desde os anos 80 quando foram feitos os primeiros relatos de médicos na França, sobre procedimentos que sob monitorização do ultra-som introduziram uma agulha no abdome materno para puncionar o cordão umbilical, no intuito da coleta de sangue fetal (cordocentese) e através desta amostra verificar o grau de anemia fetal (causada pela incompatibilidade Rh) e com isto poder realizar transfusões sangüíneas e salvar estes fetos que sem esta terapia não sobreviveriam.

Hoje no Centrus (Centro de Ultra-sonografia & Medicina Fetal de Campinas), podemos realizar os exames mais sofisticados e precisos, tanto na área diagnostica bem como em alguns casos, cirurgias fetais intra-útero. Para podermos estar aptos a realizar todos estes procedimentos, o Dr. Renato Ximenes - Diretor Científico do Centrus, tem procurado aperfeiçoamento em constantes idas à cursos e congressos no exterior, trazendo o que de mais moderno existe nesta área. Nós do Centrus temos uma preocupação exagerada com a qualidade de nossos exames e principalmente com os nossos diagnósticos, por isso os investimentos em equipamentos de ultra-som e softwares da área tem sido uma constante nestes últimos anos.

            Podemos citar que de forma geral, para àqueles casais preocupados com o bem estar e com a formação do feto, estamos realizando desde 1993 exames não invasivos e invasivos. Quando nos referimos a exames não invasivos, queremos dizer exames que não invadem a cavidade amniótica, portanto sem risco fetal, porém de forma geral são exames que realizam o rastreamento de alterações cromossômicas, diferente dos exames invasivos onde através da introdução de uma agulha guiada pelo ultra-som coletamos material para avaliação do cariótipo fetal e outras alterações.

Os exames não invasivos que consideramos importantes, iremos dividi-los em dois grupos: rastreamento bioquímico e rastreamento biofísico.

            O rastreamento bioquímico consiste da avaliação de hormônios fetais circulantes no sangue materno, que através de um software de Londres (Prof. N. Wald) podemos avaliar o risco para alterações cromossômicas (síndrome Down, 18, 13 e sd. Turner), bem como alterações do fechamento da coluna e da parede abdominal. Desde 1993 estamos realizando o rastreamento bioquímico, tendo inciado com o rastreamento do segundo Trimestre, que é feito entre a 15 a. e 20 a. semanas de gestação (Triteste®), o qual demonstra uma sensibilidade de detecção para síndrome de Down de 65%.

A partir de janeiro de 98, iniciamos o rastreamento combinado (bioquímico e biofísico), que consiste da avaliação da medida de um marcador biofísico (ultra-sonográfico) a translucência nucal, que um espaço na nuca fetal que pode ser avaliado com o ultra-som somente entre a 10 a. e 14 a. semanas de gestação, este exame segundo nossa experiência e os dados da literatura, demonstram uma sensibilidade para detecção da síndrome de Down na ordem de 75-80%. Mas através da adição do marcador ultra-sonográfico (translucência nucal) e marcadores bioquímicos (hormônios) o PAPP-A e o free-BetahCG, e a avaliação simultânea (software) destes parâmetros, estamos conseguindo uma sensibilidade para detecção da síndrome de Down na ordem de 85-90%.

O Rastreamento Invasivo para avaliação de anomalias genéticas ou infecções congênitas, são os seguintes:

Amniocentese: a coleta de líquido amniótico, que contém uma grande quantidade de células fetais. Este procedimento pode ser realizado à partir da 14a. semana da gestação. Faz-se a cultura para o crescimento e posterior análise destas células fetais (cariótipo), o resultado em média está pronto em 10 dias. Com o líquido amníotico também podemos avaliar infecções congênitas, como rubéola, toxoplasmose, parvovirose, citomegalovírus, bem como outras alterações cromossômicas, através da técnica do PCR (DNA).

Risco de aborto relacionado com o procedimento: 0,5%

            Biopsia de Vilo Corial: coleta de pequenos fragmentos da placenta. Procedimento realizado à partir da 10a. semana de gestação. O resultado em média é de 10 dias.

Risco de aborto relacionado com o procedimento: 0,7 - 1,0 %.

            Cordocentese: a punção do cordão umbilical fetal intra-útero, com a coleta de sangue fetal. Pode-se avaliar o cariótipo fetal, as infecções congênitas, transfusões sangüíneas intra-útero.

Risco de aborto relacionado com o procedimento: 1,0%

            Apesar desta grande evolução dos procedimentos invasivos, gostaríamos de ressaltar a importância da ultra-sonografia na avaliação da morfologia fetal, exame que chamamos de Ultra-som Morfológico Tridimensional (3D), exame complementar aos exames diagnósticos citados acima. Neste sentido temos trabalhado com aparelhos de última geração, com a tecnologia tridimensional.

Informações:

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