BIRADS© Ultra-sonográfico
Dr. Domingos Correia da Rocha
Dr. Antonio Carlos Matteoni Athayde
Dr. Renato Ximenes |

Dr. Domingos Correia da Rocha - Coordenadora da Comissao de US do CBR |
Para a utilização da classificação BI-RADS® em ultra-sonografia é necessário seguir o protocolo internacional de que o método é o preferencial nas pacientes < 35 anos e que após 35 anos é método complementar da mamografia. Significa dizer que nas pacientes jovens deve-se usar sempre a classificação BI-RADS®, independente da classificação mamográfica visto que estas pacientes usualmente não realizam este método, e que nas pacientes acima de 35 anos, notadamente a partir de 40 anos a classificação ultra-sonográfica é importante para ajustar o BI-RADS® mamográfico principalmente nas categorias zero, 3 e 4 A.
A recomendação da Comissão de Ultra-sonografia é que o exame de ultra-sonografia mamária só deve ser realizado nas pacientes > 40 anos com a mamografia prévia recente (realizada há menos que 12 meses) montada no negatoscópio para avaliação antes da realização do exame ultra-sonográfico. Convém lembrar que a mamografia continua sendo o “padrão ouro” na detecção precoce do carcinoma de mama na paciente acima de 40 anos.
A exceção à realização deste protocolo são as pacientes com antecedentes familiares de Ca de Mama (mãe e irmã ou ambas), que nesta situação recomenda-se que a investigação mamográfica comece dez anos antes da idade em que o familiar apresentou o tumor mamário, ou seja se o diagnóstico foi feito com 40 anos a paciente deve iniciar a investigação mamográfica com 30 anos. |
O segundo ponto a ser discutido na classificação BI-RADS® ultra-sonográfica é a terminologia específica também conhecida como “léxico”, é fundamental que esses termos sejam aplicados em todos os relatórios e que determinadas terminologias de uso corrente e antigas sejam abandonadas, como por exemplo evitar contorno, substituindo por margem, textura mista por textura complexa.
Lembramos que o exame ultra-sonográfico deve ser realizado obrigatoriamente com transdutor linear de alta frequência (> 7,0 MHz) preferencialmente acima de 10 MHz, se possível com equipamento multifrequencial pois pode-se variar a frequência, a depender do volume da mama e localização de possíveis lesões, sendo em determinadas situações de lesões superficiais necessário o uso de afastador de transdutor (“kitecho”), que constituido de um polímero viscoelástico, deformável e compressível com impedância acústica semelhante as parte moles.
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| Terminologia (Léxico) do BI-RADS® |
Ecotextura de fundo: ecotextura homogênea, ecotextura fibroglandular e ecotextura heterogênea.
Nódulo: ocupa um espaço e deve ser visibilizado em dois diferentes cortes. Usando dois ou mais cortes podem ser diferenciados de arcos costais e de lóbulos de tecido adiposo.
Forma: ovóide, arredondada e irregular.
Orientação: paralela à pele; não paralela à pele.
Margem: circunscrita, mal definida, angulada, microlobulada.
Padrão ecográfico: anecóica, hiperecóica, complexa (contém componentes anecóicos e sólidos), isoecóica e hipoecóica.
Características acústicas posteriores: reforço, sombra, reforço e sombra, sem reforço nem sombra.
Limites da lesão:
1. Interface com tecido adjacente: imperceptível ou bem definida, de qualquer espessura.
2. Halo ecogênico: sem demarcação definida entre a lesão e o tecido circunjacente, que é ligado por uma zona de transição ecogênica.
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Tecido Circunjacente: alterações nos ductos ou nos Ligamentos de Cooper, edema, distorção arquitetural, espessamento da pele, retração/irregularidade da pele.
Calcificações:
Macrocalcificações, microcalcificações intra-tumorais e microcalcificações extratumorais. As macrocalcificações são > 0,5mm e podem ser visibilizadas como áreas hiper-refringentes, com sombra acústica posterior. As microcalcificações intratumorais são visibilizadas como focos hiperecóicos no interior do nódulo, e as extratumorais são < 0,5mm e são focos ecogênicos que não ocupam todo o feixe sonoro e não produzem sombra.
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| Casos Especiais |
Vascularização |
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Microcistos agrupados |
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Ausente |
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Cistos com líquido espesso, podendo ser com ecos de baixa ecogenicidade ou com nível |
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Presente na lesão |
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Nódulo cutâneo |
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Presente imediatamente adjacente à lesão |
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Corpo estranho |
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Aumento difuso da vascularização no tecido adjacente |
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Linfonodo intramamário |
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Linfonodo axilar |
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Imagem nodular ovóide, anecóica, margens regulares, com reforço acústico posterior |
Imagem nodular ovóide, anecóica, margens regulares, com reforço acústico posterior.
Ao mapeamento com Doppler colorido convencional, visualiza-se vaso retilíneo com padrão regular. |
Imagem nodular ovóide, anecóica, margens regulares, com reforço acústico posterior.
Ao mapeamento com Doppler colorido modo amplitude (não direcional)l, visualiza-se vaso retilíneo com padrão regular. |
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BI-RADS® Ultra-sonográfico
Classificação
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| Categoria |
Conclusão |
Comentários |
| Categoria 0 |
Necessita avalição adicional |
Essa categoria na ultra-sonografia é muito menos usada em comparação ao critérios mamográficos. É utilizada quando encontramos uma imagem nodular com sinais suspeitos de malignidade numa paciente jovem (< 35 anos) que não tenha mamografia prévia. Nessa situação apesar de jovem é indicado complementação diagnóstica com mamografia. |
| Categoria 1 |
Exame negativo |
Não foi encontrado nenhuma anormalidade. |
| Categoria 2 |
Achados benignos |
Nessa categoria estão enquadrados os cistos simples, linfonodos intra-mamários, lipomas, fibroadenolipomas, fibroadenomas estáveis em exames consecutivos até completar 3 anos |
| Categoria 3 |
Achados provavelmente benignos |
Nessa categoria estão os cistos contendo ecos (esparsos ou com “nível”), microcistos aglomerados, nódulos sólidos com margens circunscritas, forma oval e orientação paralela a pele, semelhante a fibroadenoma.
Nessa categoria a chance de malignidade é menor que 2%. |
| Categoria 4 |
Suspeição de anormalidade |
Categoria 4A: baixo risco de malignidade.
Categoria 4B: intermediário risco de malignidade.
Categoria 4C: moderado risco de malignidade. Nessa categoria encontramos sinais não clássicos de malignidade.
Na categoria 4 é necessário diagnóstico citológico ou histológico. |
| Categoria 5 |
Altamente sugestivo de malignidade
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Nesta categoria é indispensável o diagnóstico histológico. |
| Categoria 6 |
Lesão com diagnóstico histológico de malignidade. |
Geralmente avaliação e follow-up. |
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| Imagens Ultra-soongráficas |
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Categoria 0: Paciente 18 anos, com nódulo palpável, ao US imagem nodular irregular, margens pouco definidas. |
Categoria 1: Parênquima mamário, heterogêneo, sem alterações. |
Categoria 2: Imagem nodular ovóide, anecóica, margens regulares, com reforço acústico posterior |
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Categoria 3: Imagem nodular sólida, textura heterogênea, margens regulares, com reforço acústico posterior |
Categoria 4C: Ectasia Ductal com alterações dos ductos. |
Categoria 5: Imagem nodular, textura heterogênea, margens irregulares, sombra acústico lateral e posterior. |
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| Para conhecer mais |
- Atlas de Imagem da Mama - Correlação Mamografia / Ultra-sonografia, incluindo Ressonância Magnética e BI-RADS® - Domingos Correia da Rocha e Selma de Pace Bauab, Revinter, 2004.
- Breast Ultrasound - A. Thomas Stravoz, Lippincott Willians & Wilkins, 2003
(Artigo do Boletim Informativvo da Comissão de Ultra-sonografia do C.B.R..)
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