03-98 - Reversão de Taquicardia Supraventricular Fetal com digitálico através de Cordocentese

Trabalho apresentado como Poster, na 28ª Jornada Paulista de Radiologia, realizado no período de 18 à 21 de abril de 1998, no Palácio de Convencoes do Anhembi. Serviço: Centrus ® - Centro de Ultra-sonografia e Medicina Fetal de Campinas

Autores: Ximenes, Renato Luis Silveira; Acácio, Gregório L.; Rodrigues, Márcia M.; Pinto J, Walter; Arruda, Maurício Souza; Carvalho, Ana Claudia F. Sandoval

Objetivo: Relatar um caso de taquicardia supraventricular fetal em gestação de 30 semanas revertida com infusão de digoxina em veia umbelical através de cordocentese.

Material e método: Foi utilizado aparelho Sequoia com doppler colorido, imagem harmônica e transdutor convexo (2,5-5 MHZ) e agulha de 18G para cordocentese.

Resultados: K.S.R., 24 anos, G1,P0,A0, com gestação de 30 semanas foi encaminhada para nosso serviço com diagnóstico de taquicardia fetal persistente. Ao exame ecográfico, observou-se feto hidrópico, com ascite severa (mais de duas cavidades), frequëncia cardíaca fetal de 237 batimentos por minuto e ritmo de condução de 1:1, com hipótese diagnóstica de Taquicardia Supraventricular. Realizou-se cordocentese, com coleta de sangue fetal para sorologia TORCH, e administração de digoxina no cordão (dose de 0,04 mg|Kg de peso fetal) . Sugerimos digitalização materna, no intuito da reversão da Taquicardia fetal, porém a equipe de cardiologia não realizou a impregnação digitálica. Observamos reversão de taquicardia supraventricular fetal, passando a ritmo sinusal com frequencia de 130 batimentos por minuto, em exame realizado 24 horas após digoxina no cordão umbilical. Foram realizados controles ecográficos semanalmente, sendo a gestação levada até o termo (37 semanas): houve manutenção do ritmo sinusal normal e regressão da hidropsia fetal. Os exames sorológicos fetais confirmaram sorologia positiva para Rubéola fetal e materna.

Comentários: A Taquicardia supraventricular, excetuando-se a taquicardia sinusal, é a mais comum taquicardia fetal, sendo diagnosticado numa frequencia de 1: 25.000 gestações. A patogënese está associada a mecanismos de reentrada ou alterações no mecanismo de automaticidade, e é frequente causa de hidropsia fetal. O diagnóstico é realizado com o modo M de ultra-som. Há associação de de 5 a 10 % com anomalias cardíacas, principalmente as relacionadas com válvula mitral, defeitos de septo atrial, tumores cardíacos e síndrome de Wolf Parkinson White. É condição grave apartir da qual usualmente advém insuficiencia cardíaca congestiva, com risco elevado de óbito fetal intra-útero. A conversão farmacológica fetal é recomendada sempre que não há maturidade fetal, sendo recomendado por diverso autores a administração via oral materna, e em casos selecionados, admnistração da droga via Cordocentese. Digoxina é a droga de escolha, com índice de sucesso de aproximadamente de 37%, chegando a 41% quando associado a outras drogas.

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